sábado, 7 de março de 2015

Cinco coisas que você precisa saber depois da cirurgia de tireóide

Na postagem anterior foi explicado sobre o câncer da tireoide e os tipos de tratamento. O tratamento cirúrgico acompanhado do procedimento de esvaziamento cervical pode resultar em alguns cuidados especiais.
 
1. Podem acontecer algumas consequências em decorrência de uma lesão nervosa como por exemplo, no nervo acessório, gerando dor e inabilidade funcional do ombro, limitação de movimento, alteração e/ou perda de forma do membro superior do mesmo lado da cirurgia; lesão do nervo mandibular marginal, nervo vago ou nervo frênico.

2.       A drenagem linfática é muito importante, pois, ocorre o edema facial em decorrência do comprometimento do retorno venoso após o esvaziamento cervical. O edema no pós operatório de cabeça e pescoço e consequência da obstrução linfática e venosa devido a secção de seus vasos no transcurso da cirurgia, ou da compressão mecânica produzida por hematomas. O edema torna-se localizado e organizado, propiciando então o aparecimento de tecido fibroso, que tende a encolher, podendo levar também a formação de aderências. Este processo pode ser agravado quando o paciente é submetido à radioterapia. Se houver o esvaziamento ganglionar o linfedema poderá desaparecer.

 

3.       Cicatriz: Todo procedimento cirúrgico deixa como herança uma cicatriz. Se houver o esvaziamento cervical, a cicatriz é maior. Para a maior parte das pessoas, a cicatriz parece um problema estético, porém ela é considerada o efeito iceberg do corpo humano. O que vemos por fora é o menor dos problemas, por dentro da cicatriz ocorre um emaranhado no tecido conjuntivo que pode causar problemas musculares e alterações estruturais às regiões mais próximas no corpo e também em locais distantes. Se a cirurgia for associada ao esvaziamento cervical, maior será a cicatriz.
 
 
 
4.       Alteração da sensibilidade: após a cirurgia é normal ter alguns locais com redução da sensibilidade. Alguns pacientes ficam preocupados com isto, mas é algo bem normal de acontecer. Na fisioterapia são utilizadas técnicas para testar e para adequar a sensibilidade do local cirúrgico e de regiões próximas que também podem ter sido comprometidas, ou seja, é também uma reabilitação das sensações.

5.       Consulta prévia com o fisioterapeuta: é ideal que o paciente faça uma visita ao fisioterapeuta especialista na área de cabeça e pescoço para avaliar o segmento antes da manipulação cirúrgica. Esta visita tem como intuito avaliar a mobilidade cervical, a resistência e flexibilidade dos músculo do pescoço e do membro superior, avaliar assimetrias e instabilidades.
 
                                             

 

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Câncer de tireóide e tipos de tratamento

A tireoide é uma glândula constituída por dois lobos, o esquerdo e o direito, ligados por um istmo. Juntos, eles assumem o formato de uma borboleta de asas abertas, de um escudo ou da letra H. Os hormônios tireoidianos são fundamentais para o metabolismo. A quantidade que a glândula produz é regulada pela hipófise, glândula situada no cérebro que fabrica o TSH, o hormônio estimulador da tireoide.
O câncer de tireoide atinge três vezes mais as mulheres do que os homens, na faixa entre os 20 e os 65 anos. Existem diferentes tipos de câncer de tireoide e os mais comuns são os carcinomas papilífero, folicular, medular e o anaplásico.
O tratamento varia a depender do tipo de câncer e se ele se espalhou. As opções de tratamento são a cirurgia, terapia de iodo radioativo, radiação externa, quimioterapia.
Na cirurgia da tireoide ou tireoidectomia remove-se parte, ou, mais comumente, toda a glândula tireoide, e nódulos linfático anormais. Em alguns casos, são também retirados os linfonodos próximos, mesmo que eles não estejam comprometidos, é uma forma profilática de tratamento. Quando há a necessidade de retirar os grupos de linfonodos e vasos linfáticos que compõem as principais vias de drenagem da cabeça e do pescoço, é realizado o procedimento de esvaziamento cervical que pode ser radical ou parcial.
O esvaziamento cervical é dividido em subníveis, que representam de forma simplificada os principais grupos de linfonodos de cada lado do pescoço.
 
Nível I – linfonodos submentais e submandibulares.
Nível II - Linfonodos em torno do terço superior da veia jugular interna.
Nível III - Linfonodos em torno do terço médio da veia jugular interna.
Nível IV - Linfonodos em torno do terço inferior da veia jugular interna.
Nível V - Grupo de linfonodos do triângulo posterior, isto é, que acompanham o nervo espinhal acessório e a artéria cervical transversa.
Nível VI - Grupo de linfonodos contidos no compartimento anterior ou central do pescoço, ou seja, aqueles que acompanham os nervos laríngeos inferiores bilateralmente (paratraqueais) e os situados a frente da laringe e traqueia.

No esvaziamento cervical radical são removidos os 5 níveis de grupo de linfonodos do mesmo lado em relação ao tumor primário. São removidas também as seguintes estruturas não linfáticas: nervo espinhal acessório, musculo esternocleidomastóideo, veia jugular interna.
No esvaziamento cervical radical modificado é feito o mesmo procedimento anterior, porém pode haver a preservação de uma ou mais estruturas anatômicas não linfáticas.
No esvaziamento seletivo ou parcial preserva-se um ou mais grupos de linfonodos que rotineiramente são removidos no esvaziamento cervical radical. São também preservadas as estruturas anatômicas não linfáticas.
Imagens do arquivo pessoal
Foto 1: Momento inicial da cirurgia
Foto 2: tecidos retirado cirurgicamente - a numeração é indicativa do subnivel em que o tecido foi retirado.
Foto 3: Região após a retirada da metástase, após o procedimento cirúrgico.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A boca não abre? Isto pode ser trismo.




Trismo é uma condição aguda em que o paciente apresenta travamento brusco da boca, não conseguindo abri-la ou sentindo dor extrema ao fazê-lo. Afeta particularmente os músculos da mastigação e a articulação temporomandibular.

Existem diversos tipos de trismo, com diferentes causas e tratamentos, que devem ser considerados durante o diagnóstico diferencial. Entre alguns exemplos de trismo inflamatório/traumático estão o infeccioso, pós anestésico, infecções ou abscessos odontogênicos, tétano, induzido por fármacos, por irradiação, entre outros.


O trismo mais frequente ocorre após as cirurgias orais ou maxilares, fraturas ou traumatismos externos. É uma complicação observada no pós operatório imediato de cirurgia para remoção de terceiros molares inferiores (dente siso). Ocorre também após lesões traumáticas, ou após cirurgias, e evolui com a cicatrização, sendo indicada de imediato medidas fisioterápicas.

Muitos dos pacientes que apresentam câncer de cabeça e pescoço são submetidos a altas doses de radioterapia, em extensos campos de radiação que irão incluir a cavidade bucal, maxila, mandíbula e glândulas salivares e o trismo é também uma das principais complicações da radioterapia.

A avaliação do paciente com trismo: fazer uma história cuidadosa, que inclua duração, evento precipitante, ritmo de progressão do problema, uso de medicações, presença de doenças crônicas, dor, inchaço e limitação das funções mandibulares. O exame físico deve incluir a amplitude dos movimentos mandibulares e a presença de dor durante os movimentos. Exames de imagem e laboratorial devem ser solicitados sempre que houver suspeita de lesões, infecções ou tumores.

O tratamento vai depender da causa. A fisioterapia dispõe de muitos  recursos para alivio da dor, redução do espasmo muscular e adequação do tônus adequado do músculo, mobilização e propriocepção da articulação temporomandibular.

Referência bibliográfica:
Tesserolli de Siqueira - Dores orofaciais: diagnóstico e tratamento.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pilates e a Labirintite


A labirintite é a patologia mais conhecida dos tipos de distúrbios vestibulares periféricos. Apesar do seu nome ser o mais popular, ela não é a mais comum, uma vez que as labirintites são de causa infecciosa, bacteriana, viral ou tóxica.
A denominação correta para as patologias que afetam o sistema vestibular é labirintopatias ou vestibulopatias, e estas podem ser do sistema periférico ou central. A doença vestibular periférica é causada por disfunções no sistema nervoso periférico.
O equilíbrio corporal depende de informações geradas pelos sistemas vestibular, proprioceptivo e visual. Essas informações são integradas nos núcleos vestibulares e no cerebelo, permitindo a manutenção da postura ereta e a estabilização do campo visual. Alterações em qualquer um desses sistemas podem provocar a sensação de tontura, náusea e instabilidade postural.
Durante a fase da crise de uma vestibulopatia, deve-se procurar um médico e, a reabilitação vestibular, deve ser feita por Fisioterapeutas especializados na área. Após a estabilização do quadro, o Pilates é muito indicado por trabalhar importantes componentes do sistema vestibular, como por exemplo, a estabilização e mobilidade da cervical.
É importante que pessoas que sofrem ou sofreram destes distúrbios tenham um ponto fixo ao realizar o exercício, principalmente quando o corpo está em movimento. Em uma fase mais avançada, em que o quadro esteja totalmente equilibrado, movimentos dos membros superiores podem ser acompanhados com o olhar. Desta forma, estamos treinando alguns dos reflexos vestibulares e cervicais.
Trabalhar a propriocepção não é apenas colocar o aluno sobre o aero mat, bosu ou bola. A propriocepção neste caso inicia-se com os movimentos oculares, em seguida com a posição da cabeça, movimentos cervicais e, assim por diante, até que compreenda todo o corpo e o aluno seja capaz de utilizar uma superfície instável, se for realmente necessário.
É importante saber que ao receber um aluno que acabou de sair de uma crise de vestibulopatia, deve-se evitar os equipamentos que põe o corpo em movimento. Exercícios básicos como o Foot work no Reformer devem ser evitados, por causa do vai e vem do carrinho, colocando o sistema vestibular em situação de estresse. Modificações frequentes de posicionamento também devem ser evitadas.
A prescrição correta do exercício para um aluno que sofre com as labirintopatias é crucial para melhora ou piora do quadro clínico, portanto é necessário estudar cada aluno e reconhecer a hora correta de cada exercício. Pilates sempre! Mas com muita atenção.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

As causas da paralisia ocular



As paralisias oculares são afecções que afetam os centros cerebrais de controle da musculatura extrínseca ocular ou nervos que emergem do cérebro para os músculos, levando as informações de controle e por fim doenças que afetam os próprios músculos e sua placa motora, de modo que estes reagem por incapacidade da própria massa muscular, ou não há passagem do estímulo na placa motora.

O traumatismo crânio encefálico é uma das causas que pode produzir lesões tanto de centros e vias intracerebrais, como de nervos. As paralisias também ocorrem pelas doenças vasculares encefálicas ligadas à arteriosclerose, diabetes mellitus, hipertensão arterial e outras, que possam produzir hemorragias ou isquemias cerebrais e nervosas; tumores benignos ou malignos intracerebrais, intracranianos ou intraorbitais (dentro da órbita do olho). Todas estas patologias causam lesões diretas sobre áreas ligadas à oculomotricidade ou podem desenvolver hipertensão intracraniana, com compressões de nervos e, na decorrência do nervo atingido o quadro clínico se manifesta. Doenças degenerativas vertebrais, nervosas e musculares também devem ser consideradas.

Qualquer alteração da motilidade ocular através de paresia ou paralisia de um ou mais músculos se manifesta por um grupo de sintomas gerais bem característicos. A diplopia é o principal sintoma relacionado com as oftalmoplegias (paralisia do músculo do olho), podendo variar, de acordo com o grau da lesão desde a sensação de sombras que rodeiam o objeto fixado, até a visão completamente dupla do objeto.

Quando ocorre a queixa de diplopia é fundamental dirigir o raciocínio para uma paralisia oculomotora.  O oftalmologista geralmente é o primeiro profissional da área da saúde a atender o paciente, o diagnóstico muscular deve ser realizado e um exame neurológico completo deve ser solicitado, juntamente aos exames de imagem.

As paralisias, logo quando diagnosticadas devem ser encaminhadas à fisioterapia e devem ser acompanhadas pelo neuro-oftalmologista, fisioterapeuta e pelo médico referente à doença de base que causou a paralisia, que pode ser este o neurologista. 

 

Referências:
Dantas, A.M - Os nervos cranianos
Conselho Brasileiro de Oftalmologia - www.cbo.com.br

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Os estrabismos e a fisioterapia ocular

Estrabismo é um desalinhamento dos olhos, que pode ser notado sempre ou apenas em determinados momentos. Pode estar presente já no início da vida ou surgir mais tarde, ainda na infância, como também pode manifestar-se em adultos, neste caso, causado geralmente por uma patologia não ocular, ocorrendo de forma repentina. Neste último caso é preciso investigar a possível causa que pode ser uma doença neurológica, aneurisma, tumor cerebral, traumatismo na cabeça, diabetes e doenças da tireoide.


Geralmente, o estrabismo é causado pela tração desigual de um ou mais músculos que movem os olhos (estrabismo não paralítico) ou pela paralisia de um ou mais desses músculos (estrabismo paralítico), causada pela lesão do nervo responsável pelo respectivo músculo.

exemplos de estrabismo


No olho humano existem seis pares de músculos extra-oculares, presos do lado de fora de cada globo ocular e que controlam os movimentos. Em cada olho, dois músculos movimentam os olhos para a direita e a esquerda. Os outros quatro músculos movimentam os olhos para cima e para baixo. Para termos os olhos alinhados e focalizados num ponto, todos os músculos oculares devem estar num equilíbrio perfeito de forças. Quando os músculos oculares não trabalham em conjunto ocorre o desvio ocular ou estrabismo.

Normalmente, ambos os olhos movem-se concomitantemente, de maneira que o cérebro produz uma única imagem fundida de ambos os olhos. Como cada olho possui um ponto de visão discretamente diferente, a imagem é tridimensional. Quando os olhos não estão alinhados adequadamente, o cérebro pode receber imagens de cada olho que são demasiadamente diferentes para serem fundidas, ocasionando a diplopia (visão dupla). Para evitar a diplopia, o cérebro pode eliminar a imagem do olho desviado. Quando o cérebro deve eliminar constantemente imagens de um olho, a visão deste é gradualmente perdida. Como a imagem produzida por um único olho não é tridimensional, a percepção de profundidade também é perdida.


O tratamento do estrabismo é recomendado que se inicie diante dos primeiros sinais. É fundamental que o paciente procure de imediato o médico oftalmologista e/ou neurologista e que inicie a fisioterapia ocular a fim de reestabelecer o alinhamento ocular na posição primária do olhar, evitar contratura na musculatura antagonista ao músculo paralisado, favorecer a visão binocular única e eliminar um possível torcicolo que pode ocorrer na tentativa de manter a horizontalidade do olhar.


Referências Bibliográficas:
Souza-Dias,C; Goldchmit, M. - Os estrabismos - teoria e casos comentados
Dome, E -Estudo do olho humano aplicado a optometria.
Ball, J - Compreendendo as doenças
Merk Manual - Distúrbios oculares - problemas de saúde na infância.
Blini W, et all - Salvado vida - com medicina natural



terça-feira, 29 de julho de 2014

Como vai a sua coluna cervical?

foto de arquivo pessoal


A cabeça deve ter a capacidade de realizar movimentos extensos, detalhados e às vezes muito rápidos. Esses movimentos permitem o posicionamento preciso dos olhos e a capacidade de responder a um grande número de mudanças posturais que resultam da estimulação do sistema vestibular.

A coluna cervical deve formar uma curva lordótica, que se desenvolve secundária à resposta de uma postura vertical, que ocorre inicialmente quando a criança aos 3 ou 4 meses, começa a levantar a cabeça e os olhos para permanecer orientada para frente e fornecer um mecanismo de absorção de choque para opor-se a força de compressão axial produzida pelo peso da cabeça.

A redução da curva cervical devido a lesão ou postura resulta em mais peso sustentado pelos corpos vertebrais e pelos discos intervertebrais, ao passo que um aumento na lordose aumenta a carga compressiva nas articulações zigoapofisárias e nos elementos posteriores.

Uma dentre muitas das alterações provenientes da curvatura da cervical tem relação com a articulação temporomandibular. A retificação da cervical pode desencadear a diminuição da abertura da boca, enquanto que a hiperlordose pode gerar o aumento da abertura da boca.


A ilustração acima representa duas imagens da coluna cervical. Vamos analisar apenas as curvaturas deste segmento e observar que a primeira ilustração trata-se de uma cervical contendo uma curva caracterizada como lordose, ou seja, dentro da normalidade. A segunda imagem é representada por uma cervical sem curvatura, ou o que chamamos de retificação da cervical.  Lembrando da primeira frase do terceiro parágrafo “A redução da curva cervical resulta em mais peso sustentado pelos corpos vertebrais e pelos discos intervertebrais”. Com esta modificação biomecânica, outros segmentos da coluna ou do crânio podem ser alterados.

Referências bibliográficas:
Duton, M. - Fisioterapia ortopédica
Tenreiro, M; Santos, R. - Terapia manual  nas disfunções da ATM
Siqueira, J; Teixeira, M. - Dores orofaciais - diagnóstico e tratamento.